Aprendizagens:
Tudo
caminhos, ou alguns atalhos?
A formação ao longo da vida é uma realidade inquestionável,
desde a sabedoria dos antigos que resumem tudo ao provérbio “Aprender até
morrer”. No entanto, nas duas últimas décadas observa-se uma maior atenção
institucional dada ao problema.
A recente polémica das habilitações de figuras públicas e a
questão das equivalências faz-nos questionar se as aprendizagens realizadas
fora do contexto formal dos quadros educativos têm a mesma validade que as que
são adquiridas no ensino formal. Parece que não.
Se a resposta fosse assim tão simples, então teríamos de
assumir que os processos de reconhecimento, validação e certificação de
competências (RVC ou RVCC) foram um logro, um esbanjar de verba e uma
certificação de inaptos. Ou seja, teremos de admitir que temos hoje uma
população de analfabetos diplomados.
Acho que no meio estará a virtude: se os processos forem
sérios, a escola é a base da aprendizagem que depois se consolidará na vida
ativa. As aprendizagens no mundo do trabalho são uma mais-valia sobre o saber
escolar e muitas vezes mostram a insuficiência do que a escola ensina.
Daí resulta que a aprendizagem terá de ser um caminho que se
percorre, ora de um lado ora de outro da estrada, recolhendo as bagagens que
nos constroem ao longo do percurso, mas nunca atalhando para chegar mais
depressa, com menos bagagens do que aquelas que são essenciais. De resto, isso
tem um nome e chama-se ‘batota’.

Correcto!
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