sábado, 10 de novembro de 2012






Aprendizagens:
Tudo caminhos, ou alguns atalhos?  



A formação ao longo da vida é uma realidade inquestionável, desde a sabedoria dos antigos que resumem tudo ao provérbio “Aprender até morrer”. No entanto, nas duas últimas décadas observa-se uma maior atenção institucional dada ao problema.
A recente polémica das habilitações de figuras públicas e a questão das equivalências faz-nos questionar se as aprendizagens realizadas fora do contexto formal dos quadros educativos têm a mesma validade que as que são adquiridas no ensino formal. Parece que não.
Se a resposta fosse assim tão simples, então teríamos de assumir que os processos de reconhecimento, validação e certificação de competências (RVC ou RVCC) foram um logro, um esbanjar de verba e uma certificação de inaptos. Ou seja, teremos de admitir que temos hoje uma população de analfabetos diplomados.
Acho que no meio estará a virtude: se os processos forem sérios, a escola é a base da aprendizagem que depois se consolidará na vida ativa. As aprendizagens no mundo do trabalho são uma mais-valia sobre o saber escolar e muitas vezes mostram a insuficiência do que a escola ensina.
Daí resulta que a aprendizagem terá de ser um caminho que se percorre, ora de um lado ora de outro da estrada, recolhendo as bagagens que nos constroem ao longo do percurso, mas nunca atalhando para chegar mais depressa, com menos bagagens do que aquelas que são essenciais. De resto, isso tem um nome e chama-se ‘batota’.

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